Today I feel Like...
You float like a feather
In a beautiful world
I wish I was special
You're so fucking special
But I'm a creep, I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here
Are you lonesome tonight,
Do you miss me tonight?
Are you sorry we drifted apart?
Does your memory stray to a brighter sunny day
When I kissed you and called you sweetheart?
Do the chairs in your parlor seem empty and bare?
Do you gaze at your doorstep and picture me there?
Is your heart filled with pain, shall I come back again?
Tell me dear, are you lonesome tonight?
Que rosto procuramos no papel pautado
Enquanto o aparo range na tarde sem-fim
E as moscas zumbem e a modorra cai,
Que corpo procuramos no escuro da noite
Envolvendo o silêncio do quarto alugado
E na repulsa de um leito solitário,
Que voz procuramos ouvir dia após noite
Nas ruas e casas e becos e praças e jardins
Não sabemos
Senão depois de os termos ignorado.
Tomaz Kim
Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus, em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma beberá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Today I feel like...
Vou só ali desmarcar tudo o que tenho para fazer para ficar a ouvir Elliott Smith em repeat e a comer gomas de pêra.
Oh-oh, yes I'm the great pretender
Pretending that I'm doing well
My need is such I pretend too much
I'm lonely but no one can tell
Oh-oh, yes I'm the great pretender
Adrift in a world of my own
I've played the game but to my real shame
You've left me to grieve all alone
Too real is this feeling of make-believe
Too real when I feel what my heart can't conceal
Yes, I'm the great pretender
Just laughin' and gay like a clown
I seem to be what I'm not, you see
I'm wearing my heart like a crown
Pretending that you're still around
Ouve-me tu, desta vez.
Nem cercos precários,
desvios que nunca se encontram
ou compromissos com o absoluto:
não quero mais coincidir
com o tempo,
agora que deixei de coincidir
com a minha língua.
Quero um amor que tenha
a lealdade de um cancro,
que alastre apenas dentro de mim
e me escolha os ossos
com dedos ligeiros mas demorados
de nódoa negra.
Diz-me o sentido
e seguir-te-ei,
de palavras levantadas contra o frio,
até chegar o som da espinha
quebrada como um livro
que se cansou de ser aberto.
Inês Dias
Teu nome,
pois tens nome. A minha vida inteira foi isso:
um nome. Porque o sei não existo.
Um nome respirado não é um beijo.
Um nome perseguido sobre uns lábios
não é o mundo, mas o seu sonho às cegas.
Assim sob a terra, respirei a terra.
Sobre o teu corpo respirei a luz.
Dentro de ti nasci: morri por isso.
Vicente Aleixandre
"I just know there's something dark in me, and I hide it. I certainly don't talk about it, but it's there - always. This Dark Passenger. And when he's driving, I feel... alive, half sick with the thrill of complete wrongness. I don't fight him, I don't want to. He's all I've got. Nothing else could love me, not even... especially not me. Or is that just a lie the Dark Passenger tells me? Because lately, there are these moments when I feel connected to something else... someone. It's like the mask is slipping and things... people... who never mattered before, are suddenly starting to matter. It scares the hell out of me."
imagino que sobre nós virá um céu
de espuma e que, de sol em sol,
uma nova língua nos fará dizer
o que a poeira da nossa boca adiada
soterrou já para lá da mão possível
onde cinzentos abandonamos a flor.
dizes: põe nos meus os teus dedos
e passemos os séculos sem rosto,
apaguemos de nossas casas o barulho
do tempo que ardeu sem luz.
sim, cria comigo esse silêncio
que nos faz nus e em nós acende
o lume das árvores de fruto.
diz-me que há ainda versos por escrever,
que sobra no mundo um dizer ainda puro.
Vasco Gato
De granada deflagrada no meio
de nós, do fosso aberto, da vala
intransponível, não nos cabe
a culpa, embora a tua mão,
lhe tenha retirado a espoleta.
De um lado o teu dedo indicador,
de outro a minha assumida neutralidade.
Entre os dois, ocupando o espaço
que vai do teu dedo acusador
à minha mudez feita de medo e simpatia,
tudo quanto não quisemos, nem urdimos,
tudo quanto a medonha zombaria
de ódios estranhos escreve a sangue
e, irredutivelmente, nos separa e distancia.
Tudo quanto há-de gravar o meu nome
numa das balas da tua cartucheira.
Nessa bala hipotética, nessa bala possível
que se vier, quando vier (ela há-de vir)
melhor dirá o que aqui fica por dizer.
Rui knopfil
Hoje amanheci triste. Nem sequer
a manhã, insensível, me comove.
Hoje amanheci comigo ao lado, triste,
feridamente triste,
como os desalojados.
Como um homem e uma mulher
de incontáveis invernos,
que obrigados se viram com ofertas
ruins a abandonar os seus deuses lares
(o sol de muitos anos
atrás das mesmas janelas;
lembranças como pássaros
que não envelhecem, ferem
os seus cantos ainda;
uma vida, de súbito, à intempérie).
Como os desalojados,
como mulher e homem
que despertassem surpreendidos, sós,
numa manhã mais de sol exagerado.
Marcos Tramón
Dança comigo a primeira valsa da Primavera
dança sem sonhos, esquece as promessas
ninguém nos espera.
Já enchi os dias de lutas vazias,
estou gasto, cansado, dormente.
E um pouco de sexo ou muita poesia
ainda não fico indiferente.
Fala comigo na palavra falsa da fantasia
chovem amigos na festa da praça no meio dia.
É certo que as flores parecem maiores
que toda a virtude do mundo:
com um pouco de sexo, ou muita poesia, ainda me sinto profundo.
[Se este mundo fosse feito para ser doce, eu seria doce, fosse eu quem fosse].
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