Nunca sentiu ciúmes, pois não, Miss Eyre? Claro que não, não preciso de lhe perguntar, porque nunca experimentou o amor. Tem ainda de provar ambos os sentimentos. A sua alma dorme. Espera ainda o choque que a há de despertar. Julga que toda a existência decorre dum fluxo calmo com aquele em que até agora se tem escoado a sua juventude. Flutuando com os olhos fechados e os ouvidos tapados, nem vê os rochedos pontiagudos, não muito distantes, na margem da corrente, nem ouve as ondas cachoando na base. Mas eu digo-lhe... e pode tomar nota das minhas palavras... que chegará um dia a uma garganta estreita do canal, onde toda a torrente da vida se despedaçará em redemoínho e tumulto, espuma e ruído. Ou será despedaçada em átomos contra as agulhas dos penhascos, ou erguida e levada por uma vaga gigante para um rio mais calmo... como eu fui agora.
Charlotte Bronte, Jane Eyre
Publicado na Revista Ler em 2006
Escreve mais com palavras do que com ideias?Eu acho que é assim que se escreve. Conhece a história do Mallarmé e do Degas? Conta-se (não sei se é lenda mas o John Ford dizia que quando a verdade contraria o mito, que se imprima a lenda) que o Mallarmé terá visitado o Degas no seu atelier e que o Degas lhe disse: oh, caro Mallarmé, tenho ideias fantásticas para poemas; se tivesse o seu talento… E o Mallarmé respondeu-lhe: meu caro Degas, a poesia não se escreve com ideias, é com palavras.
E é assim, também, que faz a sua poesia?É a única maneira de a fazer. Penso eu. Mas, enfim, a regra é não haver regras, como diz o Alexandre O’Neill. A regra é não haver regras senão a de cada um: com a sua rima, o seu ritmo, etc. Eu faço poesia assim e penso que a poesia da minha família, da minha consanguinidade é essa, aquela que é feita com palavras. Aliás, as palavras não são uma mala onde se metam ideias e onde se meta sentido. As palavras fazem sentido por si mesmas. Não são um meio. Provavelmente não são um fim mas o sentido nasce das palavras e elas não são meras malas de transportar sentidos. As ideias nascem das próprias palavras e do carácter misterioso que elas têm. Milagroso, às vezes. De se aproximarem, de se afastarem e de fazerem sentido.
Parte minúscula de uma Entrevista de Carlos Vaz Marques a Manuel António Pina
Querido 2013:
Para este novo que aí vem, quero:
- Conseguir, finalmente, parar de roer as peles dos dedos. (Acho que é desta, estou a sentir!);
- Ter sempre saúde (eu, família e amigos);
- Que os exames sejam tão fáceis que eu nem precise de estudar;
- Ter sempre batons à mão;
- Que o João me leve, todos os dias, o pequeno-almoço à cama;
- Que o George R. R. Martin me mande todos os livros da "Guerra dos Tronos" e que o fim seja do meu agrado;
- Fazer uma viagem catita;
- Que me bajulem muitas vezes;
- Que nunca falte cargas de tinta permanente, cor azul, na papelaria da faculdade;
- Que não seja preciso fazer nem mais um trabalho para a faculdade.
Se me lembrar de mais alguma coisa digo... :p
Prendas, Prendinhas para a Marta
Prendinhas vindas de Bona, lindas lindas lindas. A Maria foi muito generosa, ele foi postais lindos, ele foi várias variedades de chá, cargas para as minhas canetas de tinta permanente e gomas. Muitas gomas. Gominhas da Haribo para a Marta que merece!!!!!
O resto da família também foi muito generosa! O João, como bom namorado, ofereceu um livro ("Jane Eyre" da Charlotte Bronte) e um cd dos Ornatos Violeta ("O Monstro Precisa de Amigos"); A Geja e o Eduardo, como sempre, tiveram uma ideia mesmo gira: clips com sapatos, malas e corações cor-de-rosa, a minha cara; A mana ofereceu o meu perfume (já uso o mesmo há anos), o Promesse da Cacharel, juntamente com um chá preto com chocolate de leite e cacau (numa caixinha linda linda), uma caixa grande para guardar maquilhagem (ou postais :p), um livrinho da Agatha Christie, umas meias quentinhas, e vários batons frutados da Body shop; Os tios (Lídia e Luís) e primo ofereceram um postalinho lindo lindo com uns chocolatinhos e dinheirinho; A Rita, sortudaaaaaaa, foi ao Chile e não se esqueceu de mim, trouxe-me um lama em madeira, com três pernas (amor, saúde e dinheiro), uma carteira para as moedas, e um postal do Restaurante "Como Água Para Chocolate" (foi ela que me ofereceu o livro da Laura Esquivel no Natal de 2003, marco importante da nossa adolescência). A mãe e o pai ofereceram dinheiro, umas botas (que não estão aqui, prometo colocar foto em breve), uma caixa de bombons, uma caneta de tinta permanente (lindaaaa) e uma agenda (para andar bem orientada).
FELIZ NATAL!!
Oh I wish I was a punk rocker with flowers in my hair
In seventy-seven and sixty-nine revolution was in the air
I was born too late into a world that doesn't care
Oh I wish I was a punk rocker with flowers in my hair
I was born too late into a world that doesn't care
Oh I wish I was a punk rocker with flowers in my hair
In seventy-seven and sixty-nine revolution was in the air
I was born too late into a world that doesn't care
Oh I wish I was a punk rocker with flowers in my hair
I was born too late into a world that doesn't care
Oh I wish I was a punk rocker with flowers in my hair
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