Quero uma vida em forma de espinha
Num prato azul
Quero uma vida em forma de coisa
No fundo dum sítio sozinho
Quero uma vida em forma de areia nas minhas mãos
Em forma de pão verde ou de cântara
Em forma de sapata mole
Em forma de tanglomanglo
De limpa-chaminés ou de lilás
De terra cheia de calhaus
De cabeleireiro selvagem ou de édredon louco
Quero uma vida em forma de ti
E tenho-a mas ainda não é bastante
Eu nunca estou contente
Boris Vian
Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.
Alberto Caeiro
A BANDA PASSOU
A Banda tocou nesta sexta-feira. [1]
E eu, por breves instantes, senti um aperto no peito, invadiu-me uma certa
nostalgia e saudade de todos estes anos passados naquela faculdade. Mas, com a
chegada dos exames, tudo voltou ao normal.
[1] Banda
dos Finalistas. No último dia de aulas, é tradição na Faculdade de Direito da
Universidade de Lisboa, os finalistas andarem atrás de uma banda filarmónica pela
faculdade. Entra-se em todas as salas de aula de todos os anos, na
secretaria, biblioteca, reprografia, a gritar “SOU FINALISTA”.
O que é um resíduo? (...) Dentro de algumas décadas, todos nós seremos resíduos. E para a Natureza não há qualquer diferença entre um resíduo de uma pessoa e qualquer outro resíduo. Uma pessoa, tal como qualquer outro resíduo, será um dia eliminada numa incineradora (à qual chamamos crematório) ou num aterro (ao qual chamamos cemitério).
Ludwig Kramer
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